terça-feira, 24 de março de 2015

JARDINS DOS IMPEACHMENTS QUE SE BIFURCAM

JARDINS DOS IMPEACHMENTS QUE SE BIFURCAM, por Gregório Duvivier

1. Convocam-se novas eleições. Lula se candidata. Ganha. O governo segue corrupto e conservador, mas agora ganhou uma injeção de carisma. Metáforas futebolísticas entretêm povo e imprensa. Em 2018 Lula é reeleito e em 2022 Lula elege Dilma.

Ou 2. Convocam-se novas eleições. Lula não se candidata. Aécio ganha. O governo não dura uma semana: Anastasia, chefe da Casa Civil, está envolvido na Operação Lava Jato, assim como toda a base governista. Convocam-se novas eleições. Lula se candidata. Ganha. Ver futuro 1.

Ou 3. Dilma renuncia. Michel Temer assume. O PMDB agora governa o Brasil sem intermediários. Temer protagoniza a CPI do botox: descobre-se que o preenchimento facial diário do presidente era pago com a verba da saúde. O governo, apesar de mais corrupto do que o anterior, tem a aprovação popular. O povo depôs Dilma. Está feliz. Ao fim do mandato, Temer é eleito para a Academia Brasileira de Letras. E Lula se candidata à presidência. Ver futuro 1.


Ou 4. Dilma renuncia, Michel Temer também. O presidente do Câmara, Eduardo Cunha, é quem assume a presidência e dá um golpe evangélico: muda o nome do país para Estado Cristão Independente, nos EUA é conhecido como CrIsis. A corrupção atinge níveis estratosféricos, mas o povo não tem conhecimento porque os escândalos não passam na Record.


Ou 5: Eduardo Cunha, que tem seu nome citado em 11 de cada dez escândalos de corrupção dos últimos 20 anos, não pode tomar posse. Renan Calheiros assume. Em quatro horas de governo, Renan protagoniza nove escândalos de corrupção e é deposto com a melhor média da história: 2,25 escândalos por hora. Entra para a história como Renan, o breve.


Ou 6. O exército responde aos chamados e dá um golpe de Estado. Na hora em que Bolsonaro vai tomar posse, descobre-se que ele não sabe assinar o nome. Coronel Telhada assume em seu lugar. A Rede Globo afirma que o Brasil finalmente retomou o milagre do crescimento. A seleção canarinho ganha a Copa de 2018. Técnico: Dunga. O povo vai às ruas festejar.


Ou 7. Graças à pressão popular, todos os políticos envolvidos na Lava Jato vão parar na cadeia, assim como os corruptos do setor privado. A pressão faz o Congresso (o que sobrou dele) aprovar uma reforma que proíbe o financiamento privado de campanha. Todos os políticos agora dispõem da mesma verba e do mesmo tempo de televisão, logo os deputados mais esclarecidos vencem as eleições. O voto agora é facultativo, a maconha é legalizada, o aborto é oferecido pelo SUS e as igrejas finalmente passam a pagar impostos. O Brasil parece até primeiro mundo.


(Esse último futuro é um exercício de ficção.)


Gregório Duvivier é ator e escritor, um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.
[Publicado originalmente na Folha de SP de 23/03/2015]

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Donald no País da Matemágica

Donald no País da Matemágica ("Donald in Mathmagic Land") é um curta de 27 minutos que estrela o Pato Donald, foi lançados nos EUA em 26 de junho de 1959, foi dirigido por Hamilton Luske. O filme foi disponibilizado para as várias escolas, e se tornou um dos mais populares filmes educativos já feitos pela Disney. Em 1959, foi indicado ao Óscar como Melhor Curta-documentário.
Walt Disney uma vez, fez uma explicação sobre o filme: O desenho é um bom meio para estimular o interesse. Nos recentemente temos explicado a matemática em um filme animado e, dessa forma estimulado o interesse do público neste assunto muito importante.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

NASCIDOS ANTES DE 1986…

 

NASCIDOS ANTES DE 1986…

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebê eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo, altamente tóxicas, que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas à prova de crianças, ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas numa boa.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes, cotoveleiras e joelheiras, e olha que mertiolate ardia mais do que ácido!
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos de segurança e airbags, ir no banco da frente era um bônus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não de garrafa, que na época nem vendia.
Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e outras porcarias mas dificilmente engordávamos porque estávamos sempre loucos para brincar na rua com os amigos.
Partilhávamos garrafas e copos com dezenas de colegas e nunca morremos disso.
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pela rua mais íngreme, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar algum tipo de freio.
Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos Play Station, X Box, nada de 100 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, celulares, computadores, DVD, Chat na Internet.
A Tv pegava no máximo globo, sbt e manchete!
Tínhamos amigos e para vê-los era só ir pra rua.
Caíamos de muros e de árvores, nos cortávamos, até partíamos ossos, apertavamos as campainhas dos vizinhos, fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Tudo isso sem ninguém processar ninguém!
Íamos a pé para casa dos amigos.
Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamãe ou o papai nos levassem.
Criávamos jogos com simples paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem.
Eles estavam era do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
És um deles?
Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças!!!
Para todos os outros que não têm a idade suficiente, pensei que gostariam de ler acerca de nós.
Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho… E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.
A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades e nasceram em 1986, ou depois, chamam-se “jovens”!
Nunca ouviram “we are the world”.
Para vocês sempre houve uma só Alemanha e um só Vietnã.
O HIV sempre existiu.
Os CD’s sempre existiram.
O Michael Jackson sempre foi branco.
Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo foi um Deus da dança.
Acreditam que “Missão impossível” e “As Panteras” são filmes da atualidade.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores.
Não acreditam que houve televisão preto e branco e quem tinha era rico.
Agora vamos ver se estamos ficando velhos:
1. Entendes o que está escrito acima e sorri?;
2. Precisas dormir mais depois de uma noitada?;
3. Os teus amigos estão todos casados?;
4. Se surpreende ao ver crianças tão a vontade com computadores?;
5. Se lembra da novela “dancing day”?;
6. Encontra amigos e falas dos bons e velhos tempos?;
7. Vai encaminhar este texto para outros amigos porque achas que vão gostar?
Se a resposta é COM CERTEZA para a maioria dos, SIM, ESTAMOS VELHOS (heheheh)…
Mas tivemos uma infância maravilhosa.
Autor: Maro Mannes

quinta-feira, 8 de maio de 2014

SCHADENFREUDE OU FILOSOFIA DE BOTEQUIM



SCHADENFREUDE OU FILOSOFIA DE BOTEQUIM
Rubem Fonseca
Eu acordo cedo e vou andar nas ruas. Às seis da manhã entrei no boteco ordinário, apelidado por mim, amigavelmente, de Xexelento, e pedi um cafezinho. Nesse momento um sujeito grande entrou no boteco, com um jornal na mão e disse: “Hoje é o Dia Internacional da Mulher”.
Eu comecei a dizer “É um dia de festa…”, mas o homem – vamos chamá-lo de Grandão – não me ouviu, ou não se interessou pelo que eu ia dizer, ou então tinha uma mensagem urgente que queria transmitir aos demais homens do boteco. Era o caso. “Vamos comemorar o Dia da Mulher lendo esta noticia da primeira página do jornal”. Leu a manchete: “Bombeiro conta tudo, ele namorava a modelo. Vocês viram, o bombeiro comia aquela vadia da Luma de Oliveira”.
“Dá licença”, eu o interrompi e ele calou a boca. “Quando o senhor entrou aqui e falou no Dia Internacional da Mulher, eu comecei a dizer que era um dia de festa, e o senhor não me ouviu. É um dia que deveria lembrar a todos nós que a mulher deve ser tratada com amor, respeito, consideração e carinho. Todas as mulheres, inclusive a que cozinha para nós. E a mãe da gente também.”
“Essa Luma é uma mulher sem-vergonha, falsa.”
“Não é. É apenas uma narciso-exibicionista.” (Acho que inventei essa palavra).
“O que isso?”, perguntou um cara que tomava uma média e comia um “joelho”, uma coisa feita no forno com recheio de queijo e presunto.
Pensei em contar a lenda do jovem que se apaixona por si mesmo ao ver sua beleza refletida na água, mas contive-me. Disse apenas: “Uma pessoa que gosta da sua própria beleza”.
“Precisa tirar foto pelada na ‘Playboy’?”
“Veja bem, ela se acha bonita, todos a acham bonita e tirar foto pelada é uma forma que ela encontra de imortalizar a própria beleza, que tanto fortalece sua auto-estima e a deixa feliz, beleza que ela sabe, de maneira consciente ou inconsciente, que um dia vai desaparecer. Muitas e muitas mulheres bonitas gostariam de posar nuas para a ‘Playboy’e se não posaram é porque não foram convidadas, ou não são suficientemente narcisistas para isso, ou não têm coragem.”
“Você é professor?”
“Só dou aula em botequim. Posso continuar? Mais um minuto.”
“Pode”, disse o Grandão. Há uma tendência da minoria de aceitar que os mais fortes decidam por ela, e assim os raquíticos nada disseram.
“Você falou falsa? Ela por acaso é presidente da Liga da Decência e estava enganando meio-mundo? Porra, ela tirava foto pelada, desfilava pelada, não é nenhuma hipócrita, não comete qualquer impostura e falsidade, nós sabemos quem ela é, ela nunca escondeu nada de nós – corpo e alma. Essa moça não faz mal a ninguém, e se alguém pode se sentir ofendido pelo episódio é apenas o marido.”
Ficamos calados, tomando café ou comendo as gororobas horrendas do Xexelento.
Aproveitei o silêncio, já que agora eu tinha também a atenção dos dois garçons: “Sabem quem são os vilões dessa história?”
“Vilões?!”
“Os bandidos. Ela é a ‘mocinha’da história. Sabe quem são os bandidos?”
Outro silêncio.
Continuei: “Os bandidos são, pela ordem: a imprensa, o bombeiro e nós. A imprensa, que não se envergonha de ter um comportamento desses apenas por mercantilismo, para vender mais anúncio de cerveja; o bombeiro, que por vaidade não hesita em cometer uma vileza, para andar pelas ruas, ser apontado com admiração pelos circunstantes, que dizem “lá vai o cara que comeu a Luma de Oliveira” – e quem sabe, ele talvez seja convidado para participar do próximo ‘Big Brother’, ou então para ter o seu próprio programa de televisão. E finalmente o vilão final somos nós, todos nós, que gostamos da sensação do schadenfreude, esse invejoso prazer que sentimos ao constatar a desgraça, o opróbrio dos outros.”
“Agora ficou difícil, professor”, disse o Grandão.
“Obrigado, pela atenção de todos. Bom dia.” Coloquei dez pratas na frente do Grandão. “Quando você for para casa, leva umas flores para a sua mulher.”
Fui andando pela rua, pensando: vale a pena trabalhar para as mulheres.

Texto extraído do site “Porta Literal”:
http://www.literal.com.br/acervodoportal/schadenfreude-ou-filosofia-de-botequim-6475/

the last of us horse analisy