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quinta-feira, 4 de abril de 2013

The Matrix - Denso e intrincado.

The Matrix - Denso e intrincado.

Matrix é grandioso! Denso e intrincado, é uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe a nova e intrigante fronteira que não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a Realidade.

Com o advento da realidade virtual e realidade apliada, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da Psique.

Matrix é forte e seu conteúdo, tão rico que me frustra ter de escolher apenas um ângulo a comenntar.
Escolhi o ângulo da mitologia.




Mitos são como esqueletos da Psique, imprescindíveis à sua compreensão.
Em Matrix, reedita-se um velho tema que se repete desde nossos mais remotos e peludos antepassados: a jornada do herói, uma metáfora do processo de crescimento psicológico e auto-realização do ser humano.

O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados num personagem que geralmente precisa abandonar sua terra (a segurança de velhas certezas) e partir em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) ou enfrentar inimigos terríveis (encarar os próprios medos e bloqueios). Jornada difícil, e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e retorna à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e muitas vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação), tipo o clássico hobin hood.

Neo, o herói de Matrix, aventura-se numa realidade que parece sonho, partindo em busca de um mistério que pode enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele se recusa a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que mudará o mundo e despertará as pessoas. Essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de auto-investigação psicológica onde podemos obter respostas sobre nós mesmos através de concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor ninguém precisaria de um oráculo pra saber sobre si. No entanto, o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam a interiorização. Na verdade quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte mais sábia de nós que não costumamos escutar no dia-a-dia. Se a resposta é obscura, é porque a pergunta também o foi. A pergunta certa já contém em si a resposta.

Neo consulta o Oráculo. Mas a idéia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele ainda não está preparado. Preparado pra entender que de fato é. E quanto a isso, ninguém pode fazer nada, nem oráculos nem deuses nem ninguém.

A jornada pessoal de auto-realização nos mete em situações onde não confiamos em nosso potencial.


Acho que não podemos lembrar Smith, o agente, sempre lembra que ele é humano, chamando de Mr. Anderson, ironico?

Somos capazes de muitas coisas quando temos perfeita consciência de quem somos e do que podemos fazer. Porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta armada, travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada auto-revelação representa uma importante batalha vencida. O verdadeiro conhecer-se dói pra danar porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que a realização mais íntima nos traz.

No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas e sem senso crítico. Acreditam no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das idéias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix, Neo sofre o diabo pra aprender que tudo que ele precisa é... mudar a visão que tem de si próprio, apenas isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode acreditar que seja capaz disso tudo. Mas o segredo pra vitória do herói esconde a mais simples e a maior de todas as ironias: pra mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará - eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa então, eureka!, basta dobrar a si mesmo.

O mito da jornada do herói nos ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a aventura de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la, a vida nos provará de muitos modos e conviveremos com dolorosas incertezas e auto-enganações. No entanto, indo do micro pro macro, a aventura de Neo é da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Ante tal possibilidade, a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia Antiga e também o oráculo de Matrix: conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.



Como Neo, somos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê e que aguarda pacientemente por todos os predestinados.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Metáfora com Matrix



Após a catástrofe climática não é mais possível a obtenção de energia solar, as máquinas, então, utilizam a energia biolétrica humana, através de tubos ligados aos corpos dos homens aprisionados em casulos.
Os seres humanos vivem adormecidos, enquanto suas mentes sonham que vivem, nascem, morrem, convivem em família, comem, dançam, trabalham, estudam etc. Sensações e impressões de uma realidade simulada através de um programa de computador. O simulacro é a Matrix e o “sonho” se desenrola no final do século XX em alguma grande metrópole do planeta. O mundo virtual da Matrix em quase tudo se assemelha ao mundo em que vivemos na atualidade.
Na ficção de Matrix, o filme (dirigido pelos irmãos Andy e Larry Wachowski), há um grupo de homens livres que conhecem e sabem lidar com a tecnologia da máquina, conhecem toda a verdade e se rebelam contra ela.
Num dado momento do filme o líder dos rebeldes, Morpheus, fala ao hacker Neo: “– A Matrix é um mundo de sonho cujo propósito é nos controlar (...) Cada visão e cada cheiro na Matrix são produto do trabalho humano”.
Como uma obra de arte nos permite a liberdade de ver, proporcionando um vasto campo de interpretações e leituras, em Matrix podemos compreender que a humanização da máquina leva à desumanização do homem, à sua coisificação e reificação levados ao paroxismo.
 Momentos antes de delatar seus companheiros de resistência, Cypher fala ao agente Smith: “– Eu sei que este bife não existe. Eu sei que, quando coloco a boca, a Matrix diz ao meu cérebro que o bife é suculento e delicioso. Depois de nove anos, sabe o que percebi? A ignorância é a felicidade”.
Mesmo que Matrix, o filme, nos sirva de metáfora, ele não pretende convencer os espectadores a despertar e lutar contra os poderes exploradores, uma vez que não nos mostra o que a raça humana está perdendo enquanto fica ligada na Matrix.

Os humanos e máquinas vivem uma simbiose, e o mundo de sonho para onde Cypher quer voltar não parece tão ruim ao espectador.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Medo do apocalipse perante o imaginário cinematográfico. Parte 08



A criação da inteligência.

Olá amigos, esse é o penultimo, rsrsrs, mas vamos lá. Em Metropolis, um sábio cientista trabalha na criação de um robô que será a ressurreição da sua amada. Acho que os efeitos são ilários, mas imagino o que foi em 1927! Em O Herói do Ano 2000, e Eu, Robô, robôs concebidos à imagem do homem são produzidos em série para servi-lo. Em Blade Runner, o homem criou os replicant, cyborgs de curta duração dotados para tarefas específicas na arriscada colonização de novos mundos, adoro o final desse filme! Em Matrix, o homem criou cyborgs tão inteligentes e tão poderosos que estes, ao revoltarem­-se contra o próprio criador, vencem­, no Filme Exterminador do Futuro foi criada a Skynet no mesmo contexto.

Em Inteligência Artificial, após a produção de milhares de cyborgs cujas funções se relegam para a servidão ao homem, um cientista cria um menino robô dotado da mais recente novidade tecnológica: a capacidade de amar, como a IA pode amar?

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Refilmar “O Vingador do Futuro”

Refilmar o filme “O Vingador do Futuro - TOTAL RECALL”, um cult da ficção científica estrelado por Arnold Schwarzenegger em 1990, foi uma ideia que nunca fez sentido para mim.

O filme marcou época pelo visual peculiar e com efeitos especiais, e personagens diferentes e, apesar de não atingir o status de clássico do cinema, deixou a sua marca.

Os principais destaques do original eram a originalidade nos detalhes de Marte, os seres exóticos e sinistros, (quem não lembra dos 3 peitos! rsrsrsrs) ... além da busca de Quaid, o personagem principal, por descobrir quem ele é e a sua missão no mundo.



Enquanto o objetivo do Quaid original de recuperar o oxigênio de Marte fazia todo sentido para mim, nesse, o desfecho se mostra bem banal e fraco, apelando para a onda do “as máquinas podem dominar os homens”, tão abordada por franquias de sucesso como “Matrix” e “O Exterminador do Futuro”.

A missão dessa versão 2012 de “O Vingador do Futuro” não é fácil, pois a concorrência com a nostalgia do filme de 1990 sempre terá um peso desigual.

Mas, ao assistir o filme, tente parecer um pouco com Quaid e ‘apagar a memória’ por duas horas, rsrsrs, aí você pode se satisfazer com um bom filme de ação.

Abraços!

Medo do apocalipse perante o imaginário cinematográfico. Parte 07



Caos.

Como atmosfera alternativa ao ambiente limpo e organizado proposto atrás, os cyberpunk surgem no seu caos noturno, sujo e ruidoso em Blade Runner, em Estranhos Prazeres, em Matrix, em Mad Max, O Livro de Eli e na resolução de tensões no filme de Steven Spielberg. A visão de um mundo futuro que vive nas trevas e em cidades pouco povoadas é uma proposta inquietante que se constitui como um dos medos previstos no imaginário profético. 
Em O Herói do Ano 2000, Matrix, Mad Max e O Livro de Eli, vivem-se o pós-apocalipse, flagelo originado por uma guerra nuclear que pôs cobro à memória do homem sobre a sua existência passada. As razões são varias, petróleo, religião, IA, guerra-fria, etc.
Em Inteligência Artificial, o apocalipse não poupa qualquer homem, qualquer mulher ou qualquer criança. Alimentando os terríveis medos projetados no cinema profético, o homem contemporâneo mutila, assim, a tímida esperança com tenta animar o imaginário trágico que caracteriza o nosso tempo. Entre a esperança e o medo – a deificação do homem.


A análise dos filmes que constituem referências para esta reflexão, permite identificar a temática da desificação do homem como recorrente no imaginário sobre o futuro.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Medo do apocalipse perante o imaginário cinematográfico. Parte 06


Os regimes totalitários.

Os regimes totalitários constituam sendo mais um dos medos revelados no imaginário trágico do futuro. 

Em Metropolis, Joh Fredersen é o senhor todo poderoso numa sociedade desigual; em O Herói do Ano 2000 a humanidade é governada pelo “Grande Líder” um homem prepotente que realiza a “lavagem cerebral” a todos os seus súbditos; em Matrix, o regime totalitário é o próprio programa informático que mantém a humanidade na escravidão, tomando a máquina o papel de ditador. 



A repetição do passado está presente nos espetáculos imaginários em análise, embora sempre revestida de uma nova contextualização e de uma nova estética. 

Babel repete-se na ambição desmedida do ditador de Metropolis, a escravatura retorna como lógica de organização social em Metropolis, em O Herói do Ano 2000, em Blade Runner, em Matrix e em Inteligência Artificial.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Medo do apocalipse perante o imaginário cinematográfico. Parte 05


A Tecno-ciência

A tecno-ciência constitui­-se como uma espécie de nova escatologia, na esperança de que todas as inquietações da humanidade se resolvam com recurso às suas realizações. A realidade virtual resolve o deficit de experiência humana em Estranhos Prazeres; a genética resolve a doença física e mental em Gattaca; a criogenia e a clonagem resolvem a morte em O Herói do Ano 2000 e em Inteligência Artificial, sendo muito bem explorado em Aeon Flux e em A Ilha. O imaginário do nosso tempo é sem dúvida trágico, mas há ainda quem arrisque animá-lo com uma tímida esperança. Exorcizando velhos medos em novos cenários. 
 
Ao mesmo tempo em que se constitui como nova forma de escatologia, a tecno-ciência aparece neste imaginário como uma terrível ameaça ao agir humano. Uma dessas ameaças é a perda de controlo sobre as realizações da tecnologia, como é subentendido em Matrix. Já em Metropolis se encontrava este medo com avarias simultâneas causadas por uma má manipulação de máquinas que, produzindo fogo e fumo, precipitam o apocalipse. Em O Herói do Ano 2000, novos engenhos substituem o homem nas suas faculdades de comunicação e de aconselhamento, bem como na sua atividade sexual. Todos os seres humanos estão identificados, caracterizados e catalogados num eficiente dispositivo informático em O Herói do Ano 2000 e em Gattaca, vendo assim a sua liberdade de ação seriamente condicionada. As experiências virtuais de Estranhos Prazeres revelam­-se poderosas aliadas da malevolência humana e do crime premeditado. O Homem perde o controle sobre o cyborg, o seu filho dileto, em Metropolis, em Blade Runner e em Inteligência Artificial.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Medo do apocalipse perante o imaginário cinematográfico. Parte 04


Eternização da existência.

A eternização da existência do homem sobre a terra é outra das esperanças projetadas nos espetáculos imaginários em análise. Sobrevivendo ao apocalipse, o homem continua a habitar este planeta, perpetuando a sua existência através dos tempos em o Herói do Ano 2000 e em Matrix

Prevista em toda a saga Exterminador do Futuro, a guerra contra as máquinas é sua principal base de enredo, uma eterna luta contra o extermínio da raça humana



Em Metropolis e em Estranhos Prazeres, o homem consegue dominar o apocalipse através da redenção, colocando-lhe termo antes que este o destrua. 


Menos otimista, são Inteligência Artificial e Mad Max. IA, em sua conclusão, ainda nos mostra um mundo pós-apocalíptico sem vida natural, aonde o conhecimento científico de seres vindos de outro planeta permite um processo de clonagem capaz de trazer de volta uma mulher humana à vida na Terra.  

Blade Runner chega ainda mais longe, ao colocar o Homem na senda da colonização de novos mundos, perpetuando assim a sua existência para além da identidade terrena.

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